Apenas a mesma dose de sempre

terça-feira, setembro 02, 2014

"Uma madrugada comum, em um bar comum, e a mesma dose de sempre"

Como de costume fui a boate de sempre. Sempre a mesma bebida, sempre a mesma  hora e sempre as mesmas pessoas. Bom, pensava eu que era as mesmas pessoas, até que a vi. Aquele sorriso é inesquecível, diferente também, tenho total certeza que se já tivesse visto ele jamais esqueceria. 

Pedi uma dose ao barman, e ele preparou a de sempre, é claro. A moça do sorriso inesquecível pediu o mesmo vodka com kiwi, levantei o copo em sinal de brinde e sorri. Ela chegou um pouco mais perto e me fez uma pergunta, confesso que logo que percebi que ela iria falar algo achei que fosse algo menos.. é.. pensei que perguntaria apenas perguntar meu nome, mas perguntou o motivo de estar bebendo. Bom, por que eu bebo? Por que todas as madrugadas eu passo completamente embriagado? Faz tanto tempo que já nem sei.

Na verdade eu sei. Começou quando eu ainda morava com meus pais, lembro que sempre fiquei no meio da briga constante dos dois, e sempre fui o culpado é claro. Minha mãe nunca gostou de mim, sempre me desprezou. E meu pai, ah meu pai apenas me via como um aliado, é meio estranho.
Para sair com meus amigos tinha que escondido, parecia coisa de filme - eu deixava a cama arrumada, falava que ia dormir na casa de um amigo e ia curtir a madrugada. A cada dose eu me livrava de um peso que carregava no ombro, e de copo em copo eu ia me soltando.
Sensação de liberdade, de felicidade.. por algumas horas. E voltava a rotina de brigas, discussões. Contava as horas para chegar mais um final de semana para começar tudo de novo, um ciclo viciante, até que me apaixonei.

Talvez me apaixonar foi de longe umas das maiores burradas que fiz na vida, ou a maior mesmo. No começo tudo era flores, confesso que era daquelas bem exóticas, mas ainda sim flores.
Dava para acreditar que eu estaria completamente ou melhor perdidamente apaixonado por uma garota que fugiria de qualquer padrão. Ela, ah.. ela chegou de mansinho, conquistou seu espaço, e depois foi embora.
E eu? Bom, e cá estou eu, bebendo mais uma dose até não lembrar meu nome e esquecer o dela.

Acho que fugi da pergunta, eu bebo pra esquecer ou para tentar matar com tanto álcool aquilo que me mata, me consome por dentro, mas talvez seja assim que eu os alimente, cada dose eles ficam mais forte e acaba me matando um pouco mais, e pior, talvez eu goste de me martirizar com isso, e com tudo. Afinal, a dor é pra ser sentida.

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