Deveria, no mínimo, ser mais fácil após os trinta, mas é cada vez mais difícil lidar com toda essa confusão conhecida como vida.
Quando você arruma um lado, o outro gira trezentos e noventa graus e não dá para fazer nada além de aceitar que é a lei da vida.
E, falando em vida, chegamos aos trinta — trinta e dois em poucos meses — e ainda dói perceber que cuidar de alguém, ajudar a se curar, não significa que você será cuidado de volta. A realidade é bem o contrário: você apenas será cobrado.
Esses dias têm sido difíceis, muitas coisas acontecendo e muita ficha caindo de situações que passaram tão despercebidas por quem estava curando, mesmo precisando ser curado. Como dizia seu psicólogo: você pensa tanto no próximo, analisa cada detalhe e esquece o principal: você. E, após anos, eu posso realmente concordar com ele.
Ser cuidada não é fácil, ainda mais para uma pessoa que "foi programada" para curar, ou melhor, predestinada a curar, e a única pergunta que ecoa nos pensamentos é: e eu? Quem me cura? Quem me ajuda? Quem alivia essa dor que sinto e não consigo lidar, pois os fantasmas ainda tendem a me assombrar? A resposta, até hoje, é: ninguém.
O luto em saber que, mesmo depois de tudo, ainda sou uma loba solitária, não por escolha, mas por sobrevivência — não que minha noiva não mova o mundo para me ajudar.
Nas entrelinhas, já contei tanta coisa, já expus quase minha vida inteira, e ainda assim parece que falta. Me é cobrado ser vulnerável, e o que mais ecoa é: como ser mais vulnerável quando você já disse exatamente tudo? Só faltou cair em lágrimas, mas já chorou tanto na vida que não existem mais lágrimas para chorar? Perguntas grandes, resposta curta: não sei.
Sempre tive respostas para tudo na vida e, pela primeira vez, me permito não ter. Me permito, em um sábado à noite, com uma taça de vinho, ouvindo uma música conceitual da Luísa Sonza — "Sonhei Contigo" — não buscar essas respostas. Me permito ter ainda mais dúvidas, ter ainda mais incertezas e, se for preciso, me permito chorar por não saber onde isso tudo irá me levar.
Mas de uma coisa tenho certeza: quando tudo passar, vai ser apenas mais um capítulo de um devaneio que tive em mais uma noite fria de maio.








