In entrevista homossexual homossexualidade homossexualidade vs religiao outros religiao

Entrevista com Leonardo Sequim




Tcharã!! A tão esperada entrevista (tanto para mim, e tanto para vocês) está no ar!
Uma entrevista pra lá de simples, mas com um significado muito especial para mim. Leonardo Sequim, ou melhor Leo, é um amigo (tirem o olho porque tenho ciúmes) completamente louco (todos nós somos loucos, eu sei), mas é um louco diferente, ele tem uma loucura invejável, e eu como um curiosa nata sempre quis saber o porque. Tenho em mente (e no coração também) que as pessoas mais felizes hoje, as mais comunicativas, mais extrovertidas já sofreram muito um dia. Pode até parecer clichê,  parando para pensar, é real tudo isso. Mas voltando ao assunto Leo, eu sempre quis saber o que se passa na cabeça de uma pessoa que simplesmente passa por cima de tudo que foi ensinado até o dia de hoje para ser feliz, sendo quem ele realmente é. Não estou defendendo ou criticando nada e ninguém, que isso fique muito claro nesse post! Como cristã, nascida em berço evangélico muitas coisas passam pela minha cabeça sobre homossexualidade, e a mais forte de todas é, como eles se sentem. Esse assunto é bastante polêmico, mas antes que você leia essa pequena entrevista, quero que deixe de lado todo e qualquer preconceito (pré-conceito) que você tiver, apenas leia com o coração, e novamente, eu não estou defendendo a homossexualidade  e também não estou condenando a igreja, apenas trouxe um lado que talvez poucos conhece, um sentimento (não digo em relação homossexual) que é ignorado por muitos. 
A entrevista se é que posso chama-lá assim, é curta e pratica, totalmente sem rodeios, direta e reta. Foi difícil, pois esse assunto muito é delicado, e de forma alguma é um post defendendo religião ou homossexualidade. Confira:

  


Fala um pouco sobre você.

Leo Sequim: Me chamo Leonardo Sequim, tenho 20 anos, sou pisciano nato, sou apaixonado por musica, na verdade em arte geral, amo dançar, já fiz aula de ballet, fiz aula de teatro, aula de canto, tenho planos para aprender piano, pois sou muito apaixonado. Adoro meus amigos, amos sair no fim de tarde para conversar no parque, na praia, amo sair a tarde e caminhar na praia pra pensar, para me esvaziar, sou um poeta e não prendi a amar, malandragem me define bastante, amo a Cassia, sou apaixonado pela Cassia,e  amo RBD até hoje. Em questão de música sou eclético, não gosto de julgar o outro, não gosto de fofoca, odeio mentira, não tenho muitos amigos, mas os que tenho são meu porto seguro, quero fazer faculdade de direito, se eu não fizer faculdade de psicologia eu quero fazer uma pós em psicologia jurídica, mas bem provável que eu faça psicologia quando eu me formar, porque quero ajudar o outro , principalmente jovens que passaram pelo que passei, quero ajudar o outro a se libertar dos medos, ainda mais na questão de sexualidade,e tenho um sonho de constituir uma família. Quero ter um parceiro pra vida toda e poder ir a igreja com ele. 


Quais foram os primeiros sinais?

Leo Sequim: Sabe aquelas reuniões de família? Natal, pascoa, etc.. Foi nelas que eu comecei a notar, foi uns dos primeiros sinais. A família sempre se dividia em grupinho, tios pro canto e tia pro outro e eu sempre ia com minha mãe, eu sempre queria estar com as minhas tias, com as minhas primas, pois  não tinha assunto com meus tios, com meus primos, eu não conseguia conversar sobre futebol, eu não conseguia conversar sobre cavalos, carros, eu nunca me interessei por isso, eu sempre me senti mais a vontade em conversar com minhas tias sobre crochê, sobre moda, sobre sexo, sempre me senti mais a vontade em conversar com mulheres, como minha tia minha mãe, do que com meus tios. E também na escola, foi quando eu comecei a nota que minhas relações eram mais com mulheres, eu não gostava de jogar futebol, eu não gostava de jogar videogame, e ok, isso não esta relacionado a sexualidade, mas querendo ou não eu não tinha vontade, não me interessava por isso. E lembro que diversas vezes na aula de educação física, a gente ia pro vestiário, eu e meus amigos, e lembro que tinha muitos amigos que tinham o corpo definido, quando eles tiravam a camisa, e eu ficava olhando de uma outra forma (...) E foi ai que comecei a notar a diferença, e eu não era o único a notar. Uma professora minha de matemática  que faleceu a poucos dias, e isso me deixa muito triste, uma vez sentou comigo e isso foi na 6 para 7, pois comecei a ter problemas na escola, e aparentemente minha vida era perfeita, era muito boa e eu sabia que tinha alguma coisa "errada" comigo, eu sabia que eu era diferente, eu sabia que eu não me encaixava no padrão que a sociedade estava me impondo. Ela sentou comigo e conversou abertamente comigo sobre sexualidade, e lembro que virei pra ela e falei "professora eu realmente não sei, ainda estou me descobrindo e se for pra ser realmente no momento certo eu vou me descobrir". Passando isso no ensino médio foi o ponto de explosão, no primeiro ano meus desejos se intensificaram,e meu rendimento novamente caiu, e os meus professores notaram, pois meu rendimento sempre foram bons, e elas queriam entender o porque, e eu tinha jeito de gay e eu nunca fui de me expor, eu sempre fui muito reservado a isso, devido a minha criação, e novamente bati na mesma tecla que ainda estava me descobrindo. E chegando no segundo ano eu resolvi provar, porque eu já não aguentava mais esse desejo que eu tinha dentro de mim. Outro ponto forte que lembro quando me perguntam quais foram os primeiros sinais, é sobre uma ex namorada,   que durou mais ou menos um ano e quatro meses, e me recordo de varias vezes que estávamos naquele clima e passava imagens de homens na minha cabeça, e isso me fazia mal, pois estava namorando uma menina e estava pensando em outro cara. E foi quando me questionei: "Será mesmo que sou hétero, ou a maioria dos meus problemas é porque não aceito a minha sexualidade, eu sou gay?".

Você frequentava uma igreja, correto? E mesmo sabendo que as igrejas são contra a homossexualidade o que te faz assumir? Se arrepende?

Leo Sequim: Correto, frequentava desde de pequeno, eu nasci em berço cristão, a família do meu pai é toda cristão, eu cresci na igreja presbiteriana, fui para assembleia, e passei pela batista também. Olha, foi difícil, não vou falar que foi fácil, porque questão de igreja eu participava de ministério e estava na frente do ministério de louvor, estava a frente da área de teatro, e com isso eu comecei a me afastar, porque eu tinha medo de sofrer discriminação, e hoje o homossexual sofre mais com o preconceito dentro da igreja do que fora, porque as pessoas tem um pensamento muito quadrado, um pensamento muito antigo, e tenta encaixar em uma sociedade que tem outros valores, e eu não to falando que a igreja tem que mudar o seu ponto de vista, mas sim mudar a maneira que ela se relaciona com um homossexual, porque ao contrario delas me acolher, elas estão nos a fastando. E hoje uma das minhas maiores dores é estar fora da igreja. 
Não me arrependo de ter me assumido, mas me arrependo da forma que me assumi, porque eu não liguei para o que falavam, e apenas queria estar bem comigo mesmo. E o que me fez me assumir foi a vontade de deixar de viver uma mentira. Eu era  praticamento um robô, e eu pensava Thaay em todos os meus atos, eu pensava em todos os meus gestos, e quando eu comecei a notar que talvez fosse gay eu comecei a me fechar, porque eu sofri bullying na escola "viadinho não gosta de jogar bola, você é mulherzinha"  e eu me tornei um robô, pois pensava em cada ato, em como andar... e isso não me fazia bem, eu fui me fechando e me tornei uma pessoa desprezível, então não arrependo de ter me assumido, pois minha vida mudou muito, hoje sou totalmente diferente, sou totalmente comunicativo, não tenho vergonha de expor minhas ideias, vergonha de ser quem sou. Mesmo sabendo que a igreja é contra a homossexualidade, eu não me arrependo, eu sofro com isso, pois eu queria estar dentro do convívio da igreja e as igrejas só me afastam. Sabe Thaay, eu passei grande parte da minha adolescência buscando uma alternativa, uma "cura" para o que eu sentia, fiz campanhas, e nem a minha família sabe disso, pois agora que fui me abrir, quantas vezes eu entrava no meu quarto, dobrava meu joelho e começava a chorar falava "Senhor, me muda, Deus me muda, eu não quero ser assim, se isso for errado arranca de mim porque eu não quero viver assim, não quero chegar dentro da igreja e viver uma mentira, não quero falar com minha família que estou casado,tenho filhos e não sou feliz."

A sua família, te apoiou desde o início? E como para ela aceitar quem você é.


Leo Sequim:  Essa é a pergunta que mais me doí para responder, pois eu esperava um apoio, e eu não recebi esse apoio, eu me senti um lixo. Foi muito difícil, quem eu pensava que iria me aceitar não me aceitou, e quem pensava que iria me jogar pedras me acolheu. Minha vó me acolheu muito, pois um tio avó meu também foi homossexual, não chegou a se assumir, mas todos sabiam, e quem cuidou dele no estagio final da doença que ele teve foi minha vó e duas tias minhas, e isso gerou um medo, pois ele teve HIV e desenvolveu a Aids e acabou falecendo (...) E isso me doeu muito, pois minha vó tinha medo de acontecer isso comigo, e até hoje me comparam com ele, dizem que meu jeito, modo de agir é muito parecido com ele, e minha tia Lu que me orienta e tudo mais.

Eles não aceitam, eles respeitam, e é um respeito calado, é um respeito para não perder de vez o contato comigo, por mais dura que minha família seja, somos unidos, e eles adotaram essa postura.

Se pudesse voltar atrás e conseguisse mudar apenas uma coisa na sua vida, o que você mudaria?  E porque?


Leo Sequim:  A forma que me assumi, porque eu me abri muito perante a sociedade, perante a minha família. Se eu pudesse mudar algo eu mudaria apenas isso. Pois foi como uma bomba que eu joguei para minha família, se eu tivesse sentado e explicado a ela de outra forma talvez ela tivesse m adotado uma postura diferente, ou teria menos doloroso e nossa relação hoje não seria tão complicada. E a forma que eu falei com minha mãe, apenas isso


Hoje em dia, como você lida no local de trabalho, sua rede de amigos, eles te aceitam ou você teve que se afastar de alguns?


Leo Sequim: Não, nunca precisei me afastar de ninguém em questão de amizade, graças a Deus eles me aceitam de boa, até aqueles mais conservadores se eu precisar de um colo, eles estão sempre de braços abertos. Primeiro porque tenho muito amigos homossexuais, mas também tenho amigos héteros. Eles são incríveis, foram eles que me deram o apoio que eu precisei. No trabalho até hoje nunca sofri preconceito com isso, sempre me respeitaram.



Sofreu ou ainda sofre algum tipo de preconceito por ser quem você é? Se pudesse mudaria, ou está feliz do jeito que você é?


Leo Sequim:O maior preconceito que sofro hoje é com o meu próprio grupo social, não tem coisa mais preconceituosa que gay. Eles não respeitam o outro, seu jeito, sua criação, e confesso que tenho um pouco de preconceito com alguns gay, porque eles extrapolam, mas respeito, pois o respeito que eu quero receber, eu procuro dar. O meu maior problema hoje em questão de estar feliz é minha família, por que eu quero ver minha família, quero levar meu namorado em casa, quero que eles entendam que estou feliz, e que eles me aceitasse como eu sou. E eu tenho muita coisa para mudar, mas é um ponto de vista pessoal meu, mas em questão de sexualidade, em questão de me relacionar com minha família eu não mudaria. Graças a Deus hoje eu converso abertamente com minha mãe sobre esse assunto, e estou mostrando que não mudei. Hoje eu tô feliz, estou satisfeito com que estou me tornando.

E para finalizar, uma lição você que aprendeu com a vida.


Leo Sequim:  A não ter medo de ser quem você realmente é, por mais que as pessoas te juguem, por mais que elas aponte o dedo dizendo que você está errado, se você estiver bem consigo mesmo conta bastante. Aprendi a respeitar o outro, o modo de cada ser humano tem de encarar a vida, de ser relacionar com a sociedade. Essas foram as maiores lições que aprendi até hoje.

  


E essa foi a tão esperada (talvez só por mim) entrevista que fiz com Leo.
Deixe nos comentários o que achou.
Até a próxima entrevista!
Beijos, Thaay

Related Articles

13 comentários:

  1. Não sei o que falar, a entrevista me proporcionou um lado que eu não imaginava..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode compartilhar o que a entrevista lhe proporcionou? Quero compreender, obrigado desde já.

      Excluir
    2. Gostaria que você saísse do anonimato, e compartilhasse esse lado que você não imaginava

      Excluir
  2. Adorei a entrevista!
    É muito importante a existência de blogs como esse, a discussão desse tema [que graças a Deusa está sendo corriqueiro] desmistifica muitos preconceitos [que já estão arraigados com alguns outros].
    Vamos desconstruir as phobias e vida longa ao blog!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado e se possível compartilhe para que essa mensagem chegue a outras pessoas, obrigado desde já!

      Excluir
  3. Boa a entrevista. Mas aprende não é Homossexualismo e sim Homossexualidade . Homossexualismo refere a doença , e essa palavra ja deixou de ser usada . Ele deveria ter te corrigido .. Aprenda !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu a corrigi e acredito que ela não conseguiu compreender o que disse quando tentei diferenciar os dois termos. Mas obrigado pela sua opinião, é muito importante!

      Excluir
    2. Peço desculpa pelo erro, já foi corrigido! Desculpa novamente.

      Excluir
  4. Amei, ficou muito bom!
    Estou passando aqui para convida-la a conhecer o meu blog e o meu canal e se gostar começar a me acompanhar, aguardo a sua visita e ficarei mega feliz em te ter por lá. Beijão :*
    Canal: https://www.youtube.com/channel/UCE3spIcPq-x-gdjwS8KUfgw
    Blog: http://fasesdegarota.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Ótima entrevista!
    http://daniellaalessandra.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir