Entender o lugar que pertencemos na vida da outra pessoa é, de longe, a situação mais complicada em qualquer relacionamento, mas dessa vez iremos pontuar a amizade.
Não vi nenhum texto na internet explicando o quão difícil é manter uma amizade sincera viva. Nunca vi um manual de como lidar com conflitos de amizade ou melhor, 10 passos para você saber se apenas você é o amigo na relação — talvez seja porque o título iria ser muito grande, ou porque não é algo que iria vender.
A verdade é que ninguém te explica o quão difícil é ter amizade com alguém que é quebrado por dentro, e que espera que você seja a salvadora e sua base para tudo na sua vida — isso é bem específico. A realidade de uma amizade na qual você é a base é: quem será a sua base? Normalmente essas amizades são unilaterais, e quando o recíproco é cobrado é como colocar uma arma na testa do seu amigo e pedir o mínimo e ele entender que você é egoísta demais para entender o lado dele.
Tudo começa a cair em ruína quando você se torna a base, e se esquece que a base também precisa de um chão firme, e assim o efeito dominó vai fazendo cada peça cair, e sabe o que são cada peça? Situações que a base suporta, ignora e passa por cima. A base nunca sabe que está cedendo além do limite até esse limite chegar, e normalmente é quando não dá para voltar atrás e aí sim, você se torna o lado egoísta.
E no fim você aceita ser a vilã da história para que tenha paz, mas sabe a real? Dói, dói tanto até nunca mais doer, mas até parar de doer é uma morte lenta que te mata por dias, semanas... e até meses, e se você falar, ainda será errada.
Nada é tão pessoal como a nossa história, mas quem está genuinamente interessado em saber o que se passa de verdade? Quem em um mundo que se resume em 15 segundos irá se dispor a conversar por 15 minutos sobre vários assuntos ao mesmo tempo, ou apenas um e ser uma troca tão interessante que chega a ser uma conexão mental surpreendente — talvez tenha descrito uma cena de filme, mas já vivi isso.
A realidade bate tão forte na nossa cara que ainda passamos por um momento de luto — é basicamente assim que estou me sentindo. Perder uma amizade, mesmo que por um tempo tenha sido unilateral, dói, sei que uma hora irá parar de doer, mas por que não eternizar essa dor para que assim que passar eu possa lembrar exatamente de cada sensação que senti e superei, afinal esse espaço é para isso.
No fim, caso isso chegue em você, não é para você, dessa vez tudo será sobre mim, para mim. Dessa vez eu escolho ser a minha própria base e minha própria companhia. Sinto muito em te dizer, mas quem realmente perdeu foi você.
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